Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de
fundos e a não ter outra vista que não
as
janelas ao
redor. E
porque não
tem
vista, logo se
acostuma a
não olhar para fora. E porque não olha para fora,
logo se acostuma a não abrir de todo a cortina. E
porque não abre as cortinas, logo se acostuma a
acender mais cedo a luz. E à
medida que
se
acostuma, esquece o
sol, esquece o
ar,
esquece a
amplidão.
Marina Colasanti
Para esta secretaria, pensar a educação especial é entendê-la como uma “educação inclusiva, fundamentada em princípios filosóficos, políticos e legais dos direitos humanos,” pensamento este que “compreende a mudança de concepção pedagógica, de formação docente e de gestão educacional para a efetivação do direito de todos à educação, transformando as estruturas educacionais que reforçam a oposição entre o ensino comum e especial e a organização de espaços segregados para alunos público alvo da educação especial”.
Assim, temos de fugir de um histórico de espaços de exclusão e “ofertar um
banquete de
estratégias e possibilidades”,
tanto da
escola quanto do
Poder Público e
Sociedade Civil, afinal, a
educação é responsabilidade e
direito de
todos.
Histórico da Educação Especial em Suzano
2004
- Escola Especial Municipal (os que tinham condições por meio de avaliação dos profissionais eram incluídos na rede);
- Equipe Multiprofissional sem a figura do (a) pedagogo (a);
2005 – Mudança de Concepção da Educação Especial
- Início das discussões para a reorganização do trabalho da educação especial;
- Aumento gradativo (porém ainda de maneira muito tímida) do processo de inclusão dos alunos com deficiência;
- Diminuição das matrículas na escola de educação especial;
- Entrada do/a profissional da área da pedagogia na Equipe Multiprofissional;
- Participação como Município de Abrangência do Polo de São Paulo.
2006 – Intensificação das discussões na reorganização do trabalho da EE;
- Não são mais efetuadas matrículas na Escola de Educação Especial;
- Aumento da saída das pessoas com deficiência da Escola de Educação Especial, com matrícula nas escolas comuns da rede municipal;
- Organização das Salas de Recursos para atendimento da demanda das pessoas com deficiência;
- I Formação do Saberes e Práticas da Inclusão, para funcionários da rede municipal;
- Solicitação da inclusão de Suzano como Município Polo no Alto Tietê do Programa do MEC Educação Inclusiva: Direito à Diversidade.
2007 – Suzano passa a integrar, como cidade Polo, o Programa do MEC Educação Inclusiva: Direito à Diversidade;
- Envio de projetos para recebimento de equipamentos para as salas de recursos multifuncionais, que visam ofertar atendimento ao aluno público-alvo da educação especial da rede municipal de educação no contraturno escolar, para romper as barreiras do processo educacional;
- Participação de duas representantes em Florianópolis na discussão da Política Nacional; as representantes só participaram da discussão por Suzano ter sido contemplado como município polo do Programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade;
- II Formação do Saberes e Práticas da Inclusão, para funcionários da rede municipal;
- A partir das participações no Fórum Permanente da Educação Inclusiva – FOPEI-SP (reuniões na USP), iniciam-se as primeiras articulações entre os municípios da região do Alto Tietê;
- Em outubro desse mesmo ano acontece a abertura do FOPEI-AT (Fórum Permanente da Educação Inclusiva do Alto Tietê).
2008 – Intensas discussões no país sobre a Política da Educação Especial, que respalda as ações implementadas no município;
- Implantação das salas multifuncionais com recursos vindos do MEC/SEESP;
- III Formação do Saberes e Práticas da Inclusão, para funcionários da rede municipal;
- I Formação do Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade;
- Encontros periódicos com os Municípios de Abrangência do
Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade.
2009 – Concepção de Governo da Política de atendimento de Saúde/Educação no Município, altera a composição das equipes;
- Enfoque passou a ser o pedagógico, as questões específicas relacionadas a saúde, passa para a Secretaria Municipal de Saúde.
- Encontros periódicos com os Municípios de Abrangência do Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade.
2010 – Consolidação da Política da Educação Especial
- Fechamento definitivo da Escola de Educação Especial Municipal;
- Participação do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência – CMDPD;
- Compras de cadeiras de roda, e alguns materiais pedagógicos específicos para salas de AEE;
- Formação do Saberes com mais de 300 inscritos (funcionários da rede municipal);
- IV Formação do Saberes e Práticas da Inclusão, para funcionários da rede municipal (mais de 300 inscritos);
- II Formação do Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade.
- Recebimento de equipamentos e mobiliários do MEC
- Indicação de mais três Salas Multifuncionais;
- Implementação do Plano de Carreira que prevê profissionais, para atuação na Educação Especial;
- Seleção dos Agentes de Apoio a Inclusão, com 349 candidatos (funcionários da rede municipal), realizada em três etapas: inscrição, conversa/formação com avaliação escrita e entrevista;
- Seleção dos Interpretes de LIBRAS;
- Reorganização do trabalho com alunos (as) com surdez.
- Encontros periódicos com os Municípios de Abrangência do Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade.
2011 – Política da Educação Especial
- III Formação do Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade.
- V Formação do Saberes e Práticas da Inclusão, para funcionários da rede municipal;
- Encontros periódicos com os Municípios de Abrangência do Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade.
- Início do trabalho dos Agentes de Apoio a Inclusão – AAI;
- Início do trabalho de Interprete de LIBRAS;
- Início da nova proposta do trabalho com alunos (as) com surdez.
- Entrega das cadeiras de roda, uma grande conquista, compreensão de que para alguns alunos que não possuem mobilidade a cadeira é o mobiliário necessário para a permanência na escola e, portanto pode ser comprado com o dinheiro da educação, atendendo melhor as especificidades dos educandos;
- Aquisição e instalação dos Parques Adaptados em algumas escolas;
- Recebimento de materiais pedagógicos específicos para melhoria do trabalho no AEE;
- Primeira formação do curso de LIBRAS para pessoas diretamente envolvidas com alunos surdos da rede, participam: familiares, docentes e não docentes);
- Como processo de formação a equipe realizou também com diversos temas e público as Rodas de Conversa nas escolas.
2012 – Política da Educação Especial
Neste ano continuamos as ações de consolidação da Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, assim estamos finalizando os estudos de caso dos 326 (contabilizados até 11/05/2012) alunos (as) público-alvo da Educação Especial e estaremos começando os Atendimentos Educacionais Especializados - AEE, que acontecem no contra turno escolar, na escola Polo, além do acompanhamento, que também é feito na dinâmica escolar que este aluno (a) está inserido (a). Hoje temos 20 escolas polos com as suas respectivas escolas de abrangência e 01 específico para o atendimento dos alunos com cegueira e 03 específicos para a pessoa com surdez.
Vale destacar que o Atendimento Educacional Especializado – AEE é o atendimento que tem como objetivo romper as barreiras, sejam elas atitudinais, arquitetônicas e de acessibilidade, oportunizando ações e adaptações importantes para o acesso ao conhecimento destes (as) educandos (as), além da disponibilização de equipamentos e materiais pedagógicos, como: cadeira de roda, mesa adaptada, máquina Braille, computadores adaptados, caderno de pauta ampliada, outros.
Os (as) alunos (as), que não são indicados para o AEE recebem acompanhamento pelas professoras de AEE na própria escola que frequentam. Na escola são realizadas ações, discussões, formações com a equipe escolar e familiares, objetivando romper as barreiras necessárias para uma permanência com qualidade e sucesso de cada educando (a).
No atendimento específico para os (as) educandos (as) com surdez, além do atendimento no contra turno escolar para o aprendizado de LIBRAS e Língua Portuguesa na modalidade escrita, é realizado o ensino de LIBRAS semanalmente, para o grupo no qual este (a) educando (a) participa. Entendendo a importância do aprendizado de LIBRAS para alunos (as) ouvintes, ação que garante a acolhida da pessoa com surdez e viabiliza a comunicação entre todos e todas nas suas diferenças. Outra ação importante também é o ensino de LIBRAS semanalmente para familiares e profissionais que participam diretamente na vida dessas pessoas.
Entendendo que o diálogo da pedagogia com outras áreas se faz necessária diante das especificidades de algumas situações, compõe com a Equipe da Educação Especial profissionais da área da psicologia, fisioterapia e fonoaudiologia. Estas profissionais não realizam atendimento clínico, acompanham os (as) professores (as) de AEE nos estudos de casos, assim como discussão e participação por meio de formações com profissionais da rede municipal de ensino e familiares.
A Equipe da Educação Especial realiza projetos com o intuito de fortalecer a política de educação inclusiva, ao longo deste ano teremos a continuidade dos projetos: Roda de Conversa, Brinquedos e Brincadeiras e Reuniões com Diretores (as)/Coordenadores (as) Educacionais.
Dentro das conquistas importantes os (as) Agentes de Apoio a Inclusão, trouxeram possibilidades outras no trabalho com 86 alunos (as) com deficiência, estes (as) profissionais acompanham um ou mais educandos (as) com deficiência indicados (as) pelo estudo de caso, tanto em sala de aula, como nos demais espaços da unidade, para alimentação, troca, locomoção e auxilio em atividades diversas.
Atualmente temos Interpretes em sala de aula, para intermediar a comunicação dos (as) alunos (as) com surdez que utilizam LIBRAS.
Dentro das ações do Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade já foram agendados encontros com os municípios de abrangência ao longo do ano. Também esta programada a IV Formação de Gestores e Educadores para o mês de agosto, formação que envolverá os 24 municípios de abrangência e gestores e educadores do município de Suzano.
São municípios de abrangência de Suzano: Jandira, Mauá, Monteiro Lobato, Natividade da Serra, Nazaré Paulista, Paraibuna, Poá, Potim, Queluz, Redenção da Serra, Rio Grande da Serra, Roseira, Salesópolis, Santa Branca, Santo André, Santo Antônio do Pinhal, São Bento do Sapucaí, São Caetano do Sul, São José do Barreiro, São Luiz do Paraitinga, Silveiras, Taboão da Serra, Tremembé e Vargem Grande Paulista.
Situações indicadas para filmagem:
ñ Aluno de 12 anos, matriculado no 4º ano do ensino fundamental, com surdez e transtorno global do desenvolvimento – estava matriculado na escola especial do município, sendo transferido para escola comum há 3 anos, possui AAI que o acompanha em alguns momentos em sala de aula, participa do AEE no contra turno para o aprendizado de Libras e de Língua Portuguesa na modalidade escrita.
ñ EMEIF Sérgio Simão, aluno de 07 anos, matriculado no 2º do ensino fundamental com surdocegueira – segundo ano na escola
vem apresentado muitos progressos na comunicação e participação nas atividades desenvolvidas. Família é bastante participativa e colabora no processo ensino-aprendizagem, seria interessante que a família participasse da filmagem.
ñ EMEF Luiz Romanato, aluna de 09 anos, matriculada no 3º ano com surdez – é atendida no contra turno, tem o acompanhamento de intérprete em sala de aula, também é ensinado Libras para toda sua classe.
ñ Creche Comunitária Jardim Imperador, aluno de 03 anos, matriculado no G3 com deficiência intelectual – matriculado na creche desde 01 ano de vida, esta apresentando vários progressos.
ñ Fala da Secretária Municipal de Educação Srª Sônia Maria Portella Kruppa.
Fonte: Secretaria Municipal de Educação –
Educação Especial – Texto elaborado para a TV dos Trabalhadores – uma
reportagem sobre o trabalho da Educação Especial no Município de Suzano
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